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conhecer o projeto →O iPhone Duo chega a custar quase o preço de uma moto — e, comparado ao Galaxy Z Fold8, oferece uma justificativa bem difícil de engolir.
Theus
Editor-chefe
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A Apple lançou o iPhone Duo, seu primeiro celular dobrável, com preço inicial de R$ 21.999 no Brasil. Na versão com 2 TB de armazenamento, ele chega a R$ 30.999.
Trinta mil reais.
Com esse valor, dá para comprar duas motos novas de entrada, comprar um carro usado ou dar uma entrada relevante em um carro melhor. Também dá para montar um computador, comprar um notebook potente e ainda sobrar dinheiro para outras coisas.
Então fica a pergunta: o que exatamente justifica pagar R$ 30 mil em um celular que dobra?
O Galaxy Z Fold8 já é um celular caro. Ele chegou ao Brasil por cerca de R$ 12.599 na versão de 256 GB, enquanto o iPhone Duo começa em R$ 21.999. A diferença inicial fica em torno de R$ 9.400, e pode passar de R$ 18 mil quando comparamos o Duo de 2 TB com o Fold8.[1][2]
O problema é que essa diferença não se transforma em uma vantagem equivalente no uso.
O Galaxy Z Fold8 é mais leve, com cerca de 201 gramas, contra aproximadamente 254 gramas do iPhone Duo. Ele também possui tela externa de 5,5 polegadas e tela interna de 7,6 polegadas, além de recursos de multitarefa mais avançados no Android e na One UI.[3][4]
O aparelho da Samsung também oferece câmera principal de 50 MP, ultra-angular de 50 MP e zoom de qualidade óptica de 2x. O iPhone Duo tem duas câmeras traseiras de 48 MP e grava vídeos em até 4K a 120 quadros por segundo, com Dolby Vision.[1][5]
Não estou dizendo que o Galaxy Z Fold8 é melhor em tudo. Mas, olhando para o conjunto, ele não parece um aparelho claramente inferior ao iPhone Duo. Em alguns pontos, inclusive, entrega mais.
E aí fica difícil justificar por que o modelo da Apple custa quase o dobro.
O iPhone Duo tem vantagens. A tela interna de 7,6 polegadas usa o padrão Super Retina XDR, o aparelho oferece até 2 TB de armazenamento, chip A20 Pro, estrutura de titânio, integração com o iOS e proteção IP68. A Apple também afirma ter trabalhado para reduzir a visibilidade do vinco na tela.[6][7]
O problema é que boa parte dessas vantagens não parece suficiente para explicar os R$ 20 mil adicionais em relação ao Galaxy Z Fold8.
O armazenamento de 2 TB é útil para quem grava muitos vídeos, trabalha com arquivos grandes ou realmente precisa manter uma grande biblioteca local. Mas, para a maioria das pessoas, pagar esse valor por espaço extra no celular parece uma decisão difícil de defender.
O iOS e o ecossistema Apple também têm valor. Quem usa Mac, Apple Watch, AirPods, iCloud e outros produtos da empresa pode preferir o iPhone Duo pela integração. Só que essa é uma vantagem específica para um determinado público, não uma justificativa universal para transformar o aparelho em um produto de R$ 30 mil.
O iPhone Duo não oferece automaticamente o dobro de desempenho, o dobro de câmeras ou o dobro de tela. Ele oferece a experiência da Apple em um formato dobrável — e aparentemente é justamente essa experiência que está sendo cobrada com uma margem gigantesca.
A Apple parece ter dado bastante atenção ao design da tela. Imagens e vídeos de apresentação mostram um vinco pouco perceptível quando o aparelho está aberto, graças a uma solução chamada Nano Texture. Mas isso ainda precisa ser avaliado no uso cotidiano.[7][8]
É fácil esconder ou reduzir um problema em uma apresentação cuidadosamente produzida. Outra coisa é usar o aparelho todos os dias, sob diferentes ângulos, condições de iluminação e situações de toque.
A mesma dúvida vale para a durabilidade da dobradiça, para a resistência da tela interna e para o comportamento do aparelho depois de milhares de ciclos de abertura e fechamento.
A Apple pode ter criado uma solução realmente refinada. Mas pagar R$ 22 mil ou R$ 31 mil também significa pagar para ser um dos primeiros compradores. E, nesse caso, o consumidor está financiando a validação de uma tecnologia de primeira geração.
Isso não seria necessariamente um problema se o preço acompanhasse a proposta. Mas o iPhone Duo custa como um produto definitivo enquanto ainda precisa provar algumas das principais promessas que justificariam seu preço.
O iPhone Duo pode fazer sentido para alguém que:
Para o restante do público, a compra parece difícil de justificar.
Se a pessoa quer produtividade, o Galaxy Z Fold8 oferece tela grande, multitarefa e Android por um preço consideravelmente menor. Se quer câmeras, existem modelos tradicionais melhores e mais baratos. Se quer desempenho, outros celulares entregam processadores extremamente potentes sem exigir o preço de uma moto.
O iPhone Duo não é necessariamente um produto ruim. Ele pode ser bem construído, bonito e tecnicamente interessante. Mas um produto ser bom não significa que seu preço seja razoável.
A Apple pode cobrar caro pela experiência, pelo ecossistema e pela exclusividade. O consumidor também pode achar que isso vale a pena. Só não dá para fingir que R$ 30 mil é um preço naturalmente justificado por uma tela dobrável e 2 TB de armazenamento.
No fim, o iPhone Duo parece menos um celular que custa R$ 30 mil e mais um celular que custa R$ 22 mil — mas encontrou uma forma bastante criativa de adicionar mais R$ 9 mil à conta.
E, sinceramente, se um aparelho precisa custar o preço de duas motos para provar que é premium, talvez ele esteja vendendo luxo antes de vender necessidade.