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Treze anos depois, GTA 6 promete ir muito além dos gráficos: veja as principais mudanças técnicas, visuais e de gameplay que podem separar o novo jogo de GTA 5.
Theus
Editor-chefe
Em 2013, Grand Theft Auto V parecia um absurdo técnico. O jogo colocava Los Santos, Blaine County, carros, aviões, animais, dezenas de personagens e uma quantidade enorme de atividades dentro de um mundo aberto que ainda precisava funcionar em consoles como PlayStation 3 e Xbox 360. Treze anos depois, Grand Theft Auto VI chega para uma geração completamente diferente de hardware — e a pergunta inevitável é: o que a Rockstar realmente fez com todo esse tempo?
A resposta não está apenas na resolução das texturas ou em personagens com rostos mais bonitos. O maior salto parece estar justamente nas coisas que normalmente passam despercebidas quando você olha apenas uma imagem parada.
A comparação mais fácil seria colocar os dois jogos lado a lado e apontar que GTA 6 tem personagens mais detalhados, iluminação mais realista e uma cidade muito mais densa. E sim, isso é verdade. Mas reduzir a evolução a gráficos seria ignorar boa parte do trabalho que a Rockstar está mostrando.
O Extended Look divulgado em 27 de agosto mostrou quase 27 minutos de material capturado diretamente do jogo em um PlayStation 5. A própria Rockstar afirma que todo o vídeo foi capturado dentro do jogo. Isso é importante porque significa que aquilo não é simplesmente uma animação pré-renderizada feita para vender o jogo: é uma demonstração do que o hardware do console consegue executar.
E o primeiro grande salto aparece justamente nos personagens.
Uma das diferenças mais perceptíveis entre GTA V e GTA VI está nas animações.
No jogo de 2013, os personagens já tinham um sistema de animação bastante sofisticado para a época, mas muitos movimentos ainda tinham aquela aparência de videogame que todos conhecemos: caminhadas relativamente rígidas, transições perceptíveis entre animações e personagens que pareciam executar movimentos pré-definidos.
Em GTA VI, a Rockstar parece estar tentando esconder essas transições.
Cabelo reage ao movimento, roupas acompanham o corpo, expressões faciais são mais detalhadas e os personagens parecem adaptar seus movimentos ao ambiente. Comparações feitas após o Extended Look destacaram justamente animações, física, roupas, iluminação e comportamento dos NPCs como algumas das diferenças mais evidentes em relação a GTA V.
E isso ajuda a explicar uma sensação curiosa que muita gente teve ao assistir ao novo jogo.
Algumas cenas parecem quase artificiais demais.
Vou admitir: algumas animações de GTA VI também me causaram essa impressão.
Há movimentos que parecem estranhos justamente porque são muito diferentes do que estamos acostumados a ver em GTA V. Um dos exemplos que circulou bastante recentemente é o salto de Jason na água. Em comparações com GTA V, jogadores apontaram que o movimento parece menos natural e mais “montado”, especialmente quando comparado ao mergulho de Franklin.
Mas existe uma diferença enorme entre dizer:
“Essa animação parece artificial.”
e dizer:
“Essa animação foi feita por inteligência artificial.”
A segunda afirmação não tem sustentação.
Na verdade, a Rockstar afirmou que GTA VI não utilizou IA generativa em seu desenvolvimento. Strauss Zelnick, CEO da Take-Two, já havia dito em fevereiro que a IA generativa não tinha participação no que a Rockstar estava construindo para o jogo, enquanto Rob Nelson, co-chefe da Rockstar North, voltou a negar o uso durante as apresentações recentes.
Então, por enquanto, aquela sensação de “isso parece IA” deve ser tratada exatamente como aquilo que ela é: uma impressão visual.
E talvez seja justamente isso que torna o caso interessante.
Quando uma tecnologia gráfica evolui tanto que algo feito manualmente começa a parecer artificial, existe uma diferença curiosa entre realismo e estranheza. GTA VI parece estar chegando perto dessa linha em alguns momentos.
GTA V tinha um mapa enorme para 2013, mas GTA VI parece estar trabalhando com uma filosofia diferente.
O novo jogo se passa no estado fictício de Leonida, que inclui Vice City e outras regiões. Informações divulgadas após visitas de jornalistas e criadores à Rockstar apontam para um mapa aproximadamente duas vezes maior que o de GTA V e cerca de três vezes maior que o mundo de Red Dead Redemption 2. A Rockstar ainda não divulgou uma medida oficial em quilômetros quadrados, então esses números devem ser tratados como comparações divulgadas a partir dessas visitas, e não como uma especificação técnica publicada no site do jogo.
Mas tamanho sozinho não significa muita coisa.
Um mapa gigantesco vazio seria apenas um mapa gigantesco.
O que impressiona em GTA VI é a densidade.
Há mais pessoas, veículos, objetos, atividades e situações acontecendo simultaneamente. A cidade parece menos um cenário construído para o jogador atravessar e mais um ambiente que continua funcionando enquanto você está dentro dele.
Essa diferença é muito mais importante do que simplesmente dizer que “o mapa é maior”.
Outro ponto interessante é o sistema policial.
No GTA V, o sistema de procurado funciona de maneira bastante direta: você comete um crime, recebe estrelas e começa uma perseguição. GTA VI parece querer tornar esse sistema mais contextual.
O material apresentado mostra policiais reagindo à aparência e ao comportamento dos personagens, além de novas formas de perseguição e investigação. Disfarces também aparecem no jogo, permitindo que Jason e Lucia tentem evitar determinadas situações em vez de simplesmente fugir atirando em todo mundo.
Isso pode parecer uma mudança pequena, mas é exatamente o tipo de sistema que muda a maneira como um mundo aberto é jogado.
Em GTA V, muitas situações acabam virando:
“Roubei um carro → polícia atrás → fuga.”
Em GTA VI, a Rockstar parece estar tentando fazer com que a resposta do mundo dependa mais daquilo que você fez e de como está fazendo.
Ainda precisamos jogar para saber se isso realmente funciona tão bem quanto parece.
Aqui existe uma mudança curiosa.
GTA V ficou conhecido por uma direção mais acessível e relativamente arcade. GTA IV, por outro lado, tinha uma física de veículos muito mais pesada e realista, algo que dividiu bastante os jogadores.
GTA VI parece estar caminhando novamente para um meio-termo mais físico.
Análises do material apresentado destacaram suspensão, aceleração, frenagem e comportamento dos veículos como elementos que parecem mais próximos de uma simulação do que do modelo de GTA V. A equipe responsável pela física dos veículos também teria crescido significativamente desde Red Dead Redemption 2.
Isso não significa necessariamente que GTA VI será “mais divertido” de dirigir.
E esse é um ponto importante.
Mais realismo não significa automaticamente uma experiência melhor. Se a física ficar exageradamente pesada, uma parte dos jogadores pode preferir justamente a simplicidade de GTA V.
Esse é um daqueles casos em que só jogar vai permitir um julgamento definitivo.
Talvez essa seja a maior diferença de todas.
GTA V tinha NPCs e atividades espalhadas pelo mapa, mas GTA VI parece estar tentando aumentar drasticamente a quantidade de coisas acontecendo ao mesmo tempo.
No Extended Look, aparecem atividades como barcos, jet skis, mergulho, corridas, basquete, paraquedismo e diferentes situações envolvendo Jason e Lucia. O jogo também parece dar mais importância às interações espontâneas entre personagens e às pequenas histórias que acontecem fora das missões principais.
E existe uma diferença conceitual importante aqui.
GTA V foi construído em uma época em que um mundo aberto impressionava principalmente pelo tamanho.
GTA VI parece estar tentando impressionar pela quantidade de coisas que podem acontecer dentro dele.
É uma diferença de filosofia.
Treze anos de evolução de hardware fazem diferença.
O PlayStation 3 de 2013 e o PlayStation 5 de 2020 não estão nem remotamente no mesmo nível. GTA V precisou ser projetado para funcionar em uma máquina com recursos muito mais limitados. GTA VI pode trabalhar com SSD rápido, muito mais memória, processador mais poderoso e uma GPU muito mais capaz.
Isso permite que a Rockstar aumente não apenas a qualidade gráfica, mas a quantidade de informação que o jogo consegue manter simultaneamente.
O resultado aparece em coisas pequenas:
reflexos;
iluminação;
cabelos;
roupas;
densidade de NPCs;
distância de renderização;
física;
animações;
objetos interativos;
água;
clima;
trânsito.
Separadamente, nenhuma dessas coisas é necessariamente revolucionária.
O impressionante é tentar colocar todas elas funcionando ao mesmo tempo.
Uma análise técnica do material recente destacou justamente essa combinação de iluminação em tempo real, reflexos, cabelos, tecidos e densidade do mundo como um dos maiores desafios técnicos do jogo.
Existe uma injustiça comum nessas comparações: tratar GTA V como se estivéssemos comparando exatamente o jogo de 2013 com GTA VI.
Não estamos.
GTA V recebeu versões para PS4 e Xbox One, depois PS5 e Xbox Series X|S, além da versão atualizada para PC. A versão mais recente ganhou melhorias como ray tracing, iluminação global, reflexos, sombras, maior qualidade de textura e suporte a tecnologias de upscaling como DLSS e FSR.
Ou seja: o GTA V que podemos jogar hoje é tecnicamente muito mais avançado do que aquele que chegou ao PlayStation 3.
Mesmo assim, a diferença para GTA VI continua sendo enorme.
E isso talvez seja justamente o mais impressionante.
Existe uma curiosidade interessante aqui, mas precisamos tomar cuidado para não transformar memória de fã em fato.
Durante a divulgação de GTA V, algumas imagens e materiais promocionais apresentavam uma vegetação extremamente densa. O jogo final obviamente precisou fazer escolhas de desempenho para funcionar no hardware da época.
Isso não significa, porém, que exista uma prova simples de que “a Rockstar removeu todas aquelas árvores do trailer”.
Esse tipo de comparação precisa ser feita com versões específicas, builds específicas e materiais promocionais específicos. É um ótimo assunto para uma análise futura, mas não vale colocar como fato no meio deste artigo sem documentação suficiente.
E isso resume uma regra que vale para qualquer comparação entre trailers e jogos:
um trailer não é necessariamente uma promessa de que cada detalhe mostrado chegará exatamente daquela maneira ao produto final.
Aqui precisamos segurar a ansiedade.
GTA VI está confirmado oficialmente para PlayStation 5 e Xbox Series X|S em 19 de novembro de 2026. A Rockstar ainda não anunciou uma versão para PC.
Por isso, qualquer discussão sobre requisitos, FPS ou suporte a DLSS no PC ainda é especulação.
E sim, isso inclui a ideia de imaginar GTA VI usando tecnologias recentes da NVIDIA.
O DLSS pode reconstruir uma imagem a partir de uma resolução interna menor e, dependendo da implementação, também utilizar técnicas de geração de quadros e reconstrução de imagem. Mas não existe hoje uma confirmação oficial de que GTA VI terá DLSS, muito menos DLSS 5.
Então eu não vou fazer aquilo que a internet adora fazer e inventar uma RTX 5090 rodando “GTA VI Ultra a 144 FPS”.
A gente simplesmente não sabe.
E, sinceramente, depois de ver o jogo rodando em um PS5 de 2020, essa é uma das partes que mais me deixa curioso.
Sim.
Mas não exatamente pelo motivo mais óbvio.
GTA VI não parece simplesmente um GTA V com resolução maior. A Rockstar parece ter usado os 13 anos entre os dois jogos para aumentar a quantidade de sistemas trabalhando simultaneamente: animações, física, NPCs, iluminação, veículos, clima, densidade e interações.
E isso explica por que algumas cenas parecem tão diferentes.
Também explica por que algumas delas parecem estranhas.
O jogo está tentando fazer personagens, objetos e ambientes reagirem de maneiras muito mais específicas. Às vezes o resultado parece extremamente natural. Em outras, uma animação pode parecer exagerada ou simplesmente estranha — como aconteceu com o famoso salto de Jason na água.
Isso não significa que GTA VI esteja ruim.
Na verdade, é justamente o contrário: talvez estejamos vendo um jogo tão ambicioso que algumas imperfeições ficam mais perceptíveis porque todo o resto está absurdamente detalhado.
Depois de 13 anos, eu não esperava necessariamente que a Rockstar transformasse GTA em outra coisa.
E ela aparentemente não fez isso.
Ainda existe crime, carros, armas, perseguições, mundo aberto, humor, personagens problemáticos e uma cidade gigantesca para explorar.
A diferença é que agora a Rockstar tem hardware muito mais poderoso e uma quantidade absurda de tecnologia acumulada desde GTA V e Red Dead Redemption 2.
A grande evolução de GTA VI não parece estar em uma única mecânica revolucionária.
Está na soma.
Mais NPCs.
Mais animações.
Mais física.
Mais detalhes.
Mais interações.
Mais mundo.
Mais sistemas trabalhando juntos.
E talvez seja justamente essa a comparação mais justa entre os dois.
GTA V mostrou ao mundo o que um mundo aberto podia ser em 2013. GTA VI está tentando descobrir até onde esse conceito consegue chegar em 2026.
E, pelo que vimos até agora, a diferença entre os dois não está apenas nos gráficos.
Está em tudo aquilo que precisa acontecer por trás deles para que aquele mundo pareça vivo.